
Descobri...

Eu em música:
"E mesmo sem te ver acho até que estou indo bem, só apareço, por assim dizer, quando convém aparecer ou quando quero. Desenho toda a calçada, acaba o giz , tem tijolo de construção. Eu rabisco o sol que a chuva apagou. Quero que saibas que me lembro, queria até que pudesses me ver. És parte do que me faz forte, pra ser honesta, só um pouquinho Infeliz, mas tudo bem, tudo bem. Lá vem , lá vêm, lá vem de novo. Acho que estou gostando de alguém e é de ti que não me esquecerei." (Legião Urbana)


Em silêncio sentada no sofá, olhava seu pai, no sofá ao lado, sua mãe a preparar o almoço de domingo. Barulhos vindos da TV e de sua mãe a cozinhar quebram a falta de vozes da casa. Olhava para si e se surpreendia ao ver como mudara. Não sabia exatamente o quê, mas se sentia diferente.
Há alguns dias essa quietude a invadira, falava pouco ou quase nada, como que por obrigação. Logo ela, sempre tão aberta a falar de si, de suas alegrias e tristezas a todos... Agora o silêncio era sua única palavra. Nessa quietude buscava respostas, buscava consolo. Sentia que as pessoas com todas as suas palavras a sufocavam.
Sentia-se a vontade mergulhada em seus pensamentos. Refletia os últimos acontecimentos, que ninguém sabia, pois esse era o motivo do seu calar. Seu silêncio era tão estridente como um grito, um grito desesperado, solitário, mas esse silêncio que saia de sua boca não era o mesmo que havia dentro de si, por dentro havia um turbilhão de palavras que flutuavam soltas, quase que involuntárias a seu querer.
Às vezes ficava inerte olhos fixos no nada, era quando conseguia que as palavras acalmassem até de dentro de si. Nestes momentos ela apenas sentia, tornava-se toda sentimento, um sentimento que não sabia descrever. Chegava a achar que era tristeza ou solidão, mas não tinha certeza, não queria achar a palavra certa para descrever, pois gostava dessa ausência de som também dentro de si.
Esses dias totalmente introspectivos pareciam longos, mas agradáveis, gostava de sua própria companhia, havia muitas palavras dentro de si para conseguir suportar ainda as das pessoas ao seu redor. Os sons alheios misturavam-se com os seus e a irritava.
Pensava nos seus pais, nos amigos que ela se afastara nesses últimos dias, pensava em alguém em especial, o único alguém que ela conseguiria conversar nesse momento, mas sabia que precisava continuar a ouvir apenas sua própria voz, só não sabia até quando...

Ela: "Minhas mãos estão cansadas não tenho mais onde me agarrar, Tudo já se foi: “Amizade, carinho e amor, não há mais por que lutar” "Algumas vezes menti pra te proteger e eu te fiz fugir..."
Ele: "Você não ligou quando eu disse para ter cuidado..."
Ela: eu sei: "Me disse tantas vezes para ter cuidado..."e eu sempre fazia tudo do jeito errado..."
Ele: "Eu sabia o que era bom para nós dois, mas você sempre queria um pouco mais..."e... " Quando você falou tudo, o que eu sentia parecia pouco..."
Ela: " eu queria, que tudo fosse diferente, bem que eu queria...”“Tua voz afagava meus ouvidos” mas agora... “é quase sólido o silêncio entre nós!”
Ele: Acredite: “O que aconteceu conosco foi imenso um sentimento tão intenso, que eu não encontro as palavras certas”
Ela: "você disse que eu saberia facilmente como chegar aonde eu queria!”mas, “Olho as pessoas em volta e ninguém pode ajudar...”, “Penso em tudo o que ficou... e quando todos perceberem?”
Ele: "Procure o seu caminho, eu aprendi andar sozinho, isto foi a muito tempo atrás, mas ainda sei como se faz" “Vamos viver nossas vidas vamos deixar tudo como está , vamos viver nossas vidas cada um em seu lugar.”
Ela: Em mim "não há raiva, não há 'ódio', só arrependimento e amor, e disso tudo eu entendo, muito bem..."
Ele: Faz assim: só “lembra... que o nosso amor valeu a pena, é o nosso final feliz!"
Ela: Então, até... "amanhã ou depois, tanto faz se 'depois for nunca mais'...", “Vou deixar que você se vá!”mas, sinceramente, “espero que o fim da tarde venha com você...”
Ele: “Rezo, rezo por nós!”
Baseado nas letras do "nenhum de nós"